V Encontro de História de Sintra

Entre 27 e 29 de outubro decorreu no Palácio Nacional de Sintra, na sala das Colunas, o V Encontro de História de Sintra. O evento, cuja periodicidade tem sido bienal, foi organizado pela Associação Alagamares e teve o apoio da Câmara Municipal de Sintra e da Parques de Sintra Monte da Lua. Contou com quase duas dezenas de oradores, integrando quatro painéis. 
De entre as várias conferências apresentadas, refira-se a que foi proferida por Carlos Manique da Sintra, designadamente pelo facto de dizer respeito à Santa Casa da Misericórdia de Sintra. Na verdade, o tema sobre o qual Carlos Manique se debruçou procurava ilustrar um capítulo da história da instituição, em particular a ação filantrópica de que esta foi alvo em finais do século XIX. A mencionada ação foi protagonizada por determinados estratos da aristocracia, quase sempre no género feminino. O foco, esse, foi o Hospital da Misericórdia, que corporalizava a assistência a doentes pobres no concelho de Sintra. Ficou claro que o apoio filantrópico permitiu a renovação do Hospital, num período histórico em que as Misericórdias se debatiam com sérias dificuldades. Sublinhe-se, a título de exemplo, a iniciativa da condessa d’Edla, em 1880, a qual, mediante a concessão de cem mil réis provenientes da venda de objetos de madeira do Parque da Pena, permitiu dar início à construção de uma enfermaria para alienados. 
Em síntese, e essa foi uma das conclusões da comunicação, o “sereno e verde paraíso” sintrense de finais de Oitocentos, permanecendo como polo apelativo para a aristocracia, constituiu, na sua ambiência peculiar, um espaço privilegiado para um grupo específico de pessoas levar a cabo projetos de natureza filantrópica – nesse mesmo espaço torna-se evidente que a virtude foi, em boa medida, associada à condição feminina.